DIA DO PROFESSOR – As recordações de alunos que muitas vezes foram punidos pelos seus mestres

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Que o professor é importante na formação de qualquer pessoa disso não há dúvida. Que entra governo e sai governo e as promessas continuam não sendo cumpridas, mas repetidas a cada eleição. Que nos últimos 20 anos acabou o respeito que qualquer adulto, hoje, na faixa acima de 35 anos, tinha pelos mestres escola também acabou, sendo um dos fatores que levam muitos jovens, potenciais professores, preferirem outras opções profissionais.

Professor Lourismar Barroso é um incentivador da leitura de livros

Mas, o que pensam os estudantes de outros tempos em relação a seus professores? Que histórias lhes vêm às cabeças quando perguntados sobre lembranças? Quantas vezes essa turma, especialmente os acima de 50 anos, tiveram de responder à “sabatina” feita aos sábados onde quem errasse pagava levando um bolo de palmatória?

“A maior lembrança que tenho é do respeito. Eu sempre estudei em escola pública e o professor podia até ser ruim, mas ele se impunha pelo respeito. Eu já era estudante de escola noturna, mas lembro que qualquer que fosse o professor quando chegava na sala de aula todos ficávamos de pé e só sentávamos quando ele mandava”, respondeu José Aírton, que disse estar satisfeito com o ensino da Escola “Manaus”, onde dois filhos estudam. “Antes aquilo lá era uma bagunça mas hoje, depois do compartilhamento, mudou tudo”.

“Lembro da professora Lígia Guimarães, do Carmela Dutra, que era rígida, mas ensinava uma matéria difícil, Português, e conseguia transmitir sem perder o respeito, e sempre ajudando e incentivando”, disse Michelle Albuquerque, professora de Libras no colégio Barão do Solimões.

O professor e historiador Francisco Matias lembra da professora Isa, da escola rural no interior do Ceará, “que nos incentivava a estudar e graças a ela eu tomei gosto. Tive muitos professores, mas da que me lembro sempre com destaque é ela”.

A enfermeira Janaína Souza tem vários professores na lembrança. “Teve a “tia” Janete, que no primário era do nosso tamanho, mas um coração gigante. O professor Sávio, uma pessoa calma e tão inteligente, dedicado à turma, aquele cara do bem! Foi um professor maravilhoso, as aulas eram perfeitas, um misto de respeito e uma leveza em algumas brincadeiras, nos exemplos do conteúdo”

Ela também lembra de outro professor – todos citados são de seu tempo de estudante do Carmela Dutra – “tinha o professor Francisco Maciel, voz serena, tranquila e apaixonado pela profissão. Penso que a referência deste profissional me aproximou da profissão e fez com que eu acreditasse que era possível construir o conhecimento em outros e melhorar a educação no país. Tenho um carinho e respeito enorme a este professor até hoje”.

As principais lembranças de muitos adultos estão nas professoras de seus primeiros passou no caminho do saber, como o garoto trocando presente com a “tia” do “Antônio Ferreira”

O historiador Anísio Gorayeb também retroage ao tempo de infância, “nos primeiros anos que estudei, aí por volta de 1959. A professora Odaléa Sadeck, que nos transmitiu valores importantes durante a realização de cada hora  cívica diária. Tive bons professores, mas ela sempre é presente”.

A orientadora escolar Maria de Fátima, que atualmente leciona ao 3º ano do Fundamental na escola Maria Francisca, conjunto Orgulho do Madeira, tem um carinho especial pelo professor que ela nunca aprendeu o nome. “Ele já era meio idoso e todos só o chamavam de “professor Cabeça”. Quando um aluno tinha um problema ele era o primeiro a conversar e ajudar”, lembra ela que durante muito tempo atuou na escola “Laura Vicuña. “Uma boa paga ao que fiz? Quando encontro um ex-aluno, já realizado profissionalmente, que faz questão de dizer aos outros que eu fui sua professora no fundamental”.

“Eu sou do tempo em que a mãe ou o pai deixava a criança na porta da escola e dizia “Aqui quem manda nele é a senhora. Aqui a senhora é pai e mãe”. Aos 67 anos, funcionária aposentada da Assembleia Legislativa, Fátima Souza diz que a forma como eram os professores de sua época transferiram valores que hoje não se fazem”.

“E não se fazem porque há uma série de normas e leis que impedem e desestimulam quem quer trabalhar direito, pressionado pelos que só querem tirar proveito do processo educacional sem se preocupar com os resultados, mas que são os primeiros a recorrerem a órgãos diversos para condenar quando um professor tenta aplicar disciplina ou é mais rígido nos testes”, completou Francisco Leme, 56 anos, que disse ter deixado a profissão de lado de tanto sentir que “eu estava atrapalhando quem é contra valores e mérito”.

Fonte: www.expressaorondonia.com.br

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