Em tempo de pandemia, pessoas de várias denominações trabalham todos os dias para minorar a carência dos desvalidos

Coronavírus

Há 164 dias, domingo, sábado ou feriado, desde quando começou o atual período de isolamento social, um grupo de pessoas passou a se encontrar na igreja Sagrada Família, em Porto Velho, para uma missão nobre: ajudar a minorar o sofrimento dos carentes, tanto na entrega de marmitex quanto na oferta de banho, lavagem de roupa e alguns outros atendimentos. Nesse período já foram distribuídas mais de 20 mil refeições, numa parceria importante com a prefeitura portovelhense via Secretaria de Assistência Social.

Localizada no Bairro Embratel, bem próxima à estação rodoviária e ao local que serve de uma espécie de acampamento a muitos sem teto, antes da pandemia era comum a paróquia ser procurada por quem precisava de uma ajuda e já mantinha, às terças-feiras, atendimento à tarde no programa “Levanta-te e Anda”, onde em torno de 60 a 80 pessoas podiam interagir, ver televisão, ser encaminhado para atendimento em postos de saúde, tomar banho, e fazer duas refeições, graças a doadores e ao trabalho de voluntários.

Mas desde o início da pandemia, por orientação do arcebispo dom Roque Paloshi, com estabelecimento de uma parceria com a prefeitura municipal via Semas, esse serviço semanal foi ampliado para um almoço diário com a oportunidade do banho, lavagem de roupa e, quando necessário, alguns outros atendimentos.

A escolha da Sagrada Família para fazer o atendimento foi definido por alguns motivos, um deles a estrutura disponível além do fato de bem ao lado da igreja ser ponto de encontro diário de muitos sem teto, e do fato de a rodoviária estar a menos de 200 metros distante, o que facilita até o acolhimento de quem chega, muitas vezes sem condições, do interior ou de outros estados – até de outros países.

Todo o trabalho é feito sob voluntariado, coordenado pelo padre Juquinha, que assumiu a direção da paróquia, com apoio dos paroquianos Marta e Alessandro e quase três dezenas de pessoas, a maioria católicos, mas contando com espíritas, evangélicos e um que se declarou sem religião. “Todos são bem vindos”, disse o padre Juquinha, lembrando a parábola do Bom Samaritano, e o caso de uma refugiada venezuelana que se integrou à equipe.

O coordenador Alessandro reconhece que alguns paroquianos que normalmente participam de todas as atividades, como arraial, preparação de celebrações, etc, além de pessoas que no projeto “Levanta-te e Anda” já vinham participando ativamente, tiveram de ser dispensados da oferta de atuar como voluntários devido suas idades, acima dos 60 anos, para sua própria preservação. “Mas o importante é que tivemos uma boa procura de voluntários”, disse a coordenadora Marta. “Esse grupo não ficou inteiramente de fora, se mobilizando para ajudar da forma que podem, “orando, fazendo doações etc”, continuou Alessandro.

VOLUNTÁRIOS

Mas na última sexta-feira o café da manhã servido todos os dias para os voluntários – que também almoçam no local, com a comida feita pela cozinha da paróquia que complementa a quantidade de doações da Semas, ganharam um café especial, oferta de um grupo de paroquianos do “grupo de risco”.

“Foi uma maneira de demonstrarmos o nosso reconhecimento pelo trabalho dessa turma, e aproveitar também que isso acontecesse numa data muito especial, o Dia Nacional do Voluntariado”, disse um representante do grupo de risco.

Segundo uma das voluntárias, freira que atua na zona leste, o café “foi tão bom que eu vou comer várias vezes e nem vou precisar almoçar na casa das irmãs”, brincou.

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