Dados apontam para grande subnotificação de casos de Covid-19 em RO

Coronavírus

Os números de casos e de óbitos de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, não param de crescer em Rondônia, a exemplo do que ocorre em todo país. Mas, ainda que estes dados sejam cada vez maiores, os números reais são bem maiores em função da subnotificação. Esta foi a conclusão a que chegou um levantamento realizado pela Iniciativa Aruana de Checagem, mantida por professores e alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia, Unir, e publicado nesta semana no endereço http://www.checagem.unir.br/noticia/exibir/11441.

Para chegar a esta conclusão foram analisados e cruzados dados de diferentes fontes e que revelam aspectos distintos dos impactos da doença em Rondônia. O primeiro destes dados a ser considerado para ter uma visão mais ampla da situação enfrentada no Estado, é o nível de testagem da população. Ainda que Rondônia teste mais do que a média nacional – enquanto em todo o Brasil são realizados, em média, 2,3 testes a cada mil habitantes, em Rondônia são 3,7 testes para cada mil pessoas – este índice ainda é baixo para permitir ter um quadro que permita saber o comportamento da doença. A título de comparação, a Alemanha, país que começa a sair do confinamento apenas agora, testou até o final de abril 25,11 pessoas a cada mil habitantes.

Ao baixo índice de testagem soma-se o aumento do número de óbitos em Porto Velho, cidade rondoniense com a maior quantidade de casos registrados da doença. Na capital estavam, até a metade do mês de maio, 77% dos casos de Covid-19 oficializados em Rondônia. No epicentro estadual da doença quantidade de óbitos entre os dias 20 de março e 1º de maio subiu 52% em comparação ao ano passado. Se considerados apenas as mortes causadas por doenças respiratórias, sem contar a Covid-19, o aumento no mesmo período em comparação a 2019 foi de 56%.

A baixa testagem e o aumento do número de mortes no período de crescimento da doença são indicadores de que há uma circulação muito mais ampla do novo coronavírus em Rondônia do que mostram os dados oficiais. As projeções feitas por especialistas da mesma Universidade Federal de Rondônia, dos departamentos de Medicina e de Matemática mostram isso, através de dados que em sido usados pelo governo estadual para planejar suas ações. Uma dessas projeções indicou que no início de agosto Rondônia pode char ao número de 375 mil casos da doença. Se isso se confirmar, e mantidas as relações entre casos, internações e óbitos, ainda antes de agosto o sistema de saúde estadual entrará em colapso.

Projeção de 375 mil casos

Mas, é preciso um adendo: como se trata de previsões, os números que projetam os casos para as próximas semanas e meses dependem das condições analisadas semana a semana, como a efetividade do isolamento social, por exemplo. A projeção de 375 mil casos no princípio de agosto, por exemplo leva em consideração as condições existentes em 16 de abril, ou seja, há cerca de um mês. Se de lá para cá houve menor circulação de pessoas e as condições de atendimento de saúde melhoraram, uma projeção de casos pode indicar menos infectados. Isso, no entanto, não deve fazer perder de vista o fato de que outros dados, como indicados pela checagem realizada pela equipe de Aruana, indicam com clareza para uma grande subnotificação de casos em Rondônia.

Além desta checagem, no site www.checagem.unir.br há checagens sobre os mais diferentes temas envolvendo Rondônia, principalmente conteúdos que circulam em redes sociais e que podem não corresponder aos fatos e, em alguns casos, ser classificados como fake news.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria/Aruana

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